LIVRO

INÁCQUAS: LUGARES DE PENSAMENTOS

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imagens tiradas do Fotô Editorial

Inácquas: Lugares de Pensamentos, 2019, livro de artista, 35 x 50 (aberto), edição de 300

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Toda água era doce para o egípcio,

mas sobretudo aquela que fora tirada do rio,

emanação de Osíris. 

Gerard de Nerval, Les filles du feu

 

Que águas são essas que correm no Rio Tietê, Rio Amazonas, Rio dos Combates, Rio das Tréguas e Rio das Luzes? E mares e oceanos que banham as Américas, África, Europa e Oceania?

Que movimento é esse que não cessa, que flui como bits, informações, mensagens e histórias nas midias?

 

Inácquas é um conjunto de desfotografias de hidro-caligrafias.

 

Quando fotografo capto o desenho que o movimento das gotas, ondas, marés, moléculas fazem, e numa simbiose, desenho com esta matéria líquida. Assim registro o que chamo de hidro-caligrafia, o desenho das águas.

 

Já a desfotografia reconfigura o entendimento da câmera como ferramenta de captação. O resultado são imagens não figurativas. Alcanço uma dimensão invisível que só o aparato fotográfico me permite reproduzir. É além do meu olhar.

Na desfotografia, a câmera e eu somos coautores. Ela objetiva a minha imaginação. Traz pedaços do meu ser. No caso, todas imagens são parte de uma mesma totalidade.

 

A verdadeira criatividade

devemos ir buscá-la mais além de simples aparência do real,

se queremos transmitir a verdadeira paisagem que temos dentro de nós mesmos.

António Quadros Ferreira, Domènec Corbella, Navigatio Vitae

 

Aliado a esse novo entendimento, foram criados e inseridos nas imagens os ovos cósmicos. Como sementes de consciência simbolizam uma resistência ao descaso quando se trata de assuntos socioambientais. Transporte de imigrantes refugiados quando estes buscam possibilidades de um novo existir. Fiscalização e controle de lixo no mar. Preservação, tratamento, saneamento e distribuição de águas.

 

Em Inácquas a água se mostra essencialmente como uma condição líquida de ser… o momento-movimento-instante que, no agora em que se define já é outro. A água contemporânea e atemporal, quase infinita, permite o encontro das relações mais íntimas e secretas do universo do homem. É parte do nosso ser, nosso patrimônio interno, natural, coletivo e sagrado.

Eidi Feldon